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O apego à beleza corporal é um dos mais fortes grilhões. Há uma história interessante dos tempos do Buddha sobre isso. Conta-se que a filha de Gotami, madrasta do Buddha, era uma princesa muito bela. Ela havia se casado com o príncipe Nanda. Acontece que tanto o Buddha, o filho do Buddha, Rahula, sua mãe e o próprio Nanda todos eles haviam tomado a vida monástica. Vendo que estava sozinha resolveu se tornar uma monja. Mas mesmo depois de monja, Rupananda temia se encontrar com o Buddha, pois certamente, ela achava, ele falaria alguma coisa sobre a impermanência e a decadência, após ver o quão bela ela era. Finalmente, convencida pelas amigas, ela vai até o Buddha, mas este, percebendo o quanto ela era apegada à própria beleza, resolve utilizar-se de um artifício. Ele cria uma imagem de uma jovem belíssima sentada a seu lado, somente vista por Rupananda . A imagem vai entretanto gradualmente envelhecendo. Durante o processo Rupananda vai perdendo o apego a seu corpo, e quando a jovem figura se torna apenas um corpo putrefato cheio de vermes, Rupananda compreende por completo os agregados, escuta um ensinamento do Buddha sobre as três características da existência e atinge o estado de sotapanna. O Buddha então termina com este verso do Dhammapada, após o qual ela se torna um arahant.
De ossos a cidade é feita,
Com reboco de carne e sangue.
Aqui, o envelhecimento e a morte,
O orgulho e a depreciação dos outros são guardados.
Dhanapala
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